OTHER TYPES OF WORKS

  • 10-1998-capa-reforma-do-estado-para-a-cidadania
  • 2014-capa-developmental-macroeconomics-new-developmentalism
  • 09-1993-capa-economic-reforms-in-new-democracies
  • 05-2010-capa-globalixacion-y-competencia
  • 17-2004-capa-em-busca-do-novo
  • 06-2009-capa-construindo-o-estado-republicano
  • 2006-capa-as-revolucoes-utopicas-dos-anos-60
  • 05-2009-capa-mondialisation-et-competition
  • 03-2018-capa-em-busca-de-desenvolvimento-perdido
  • 05-2009-capa-globalizacao-e-competicao
  • 08-1984-capa-desenvolvimento-e-crise-no-brasil-1930-1983
  • capa-novo-desenvolvimentismo-duplicada-e-sombreada
  • 13-1988-capa-lucro-acumulacao-e-crise-2a-edicao
  • 01-2021
  • 07-2004-capa-democracy-and-public-management-reform
  • 15-1968-capa-desenvolvimento-e-crise-no-brasil-1930-1967
  • 09-1993-capa-reformas-economicas-em-democracias-novas
  • 01-2021-capa-new-developmentalism
  • 02-2021-capa-a-construcao-politica-e-economica-do-brasil
  • 11-1992-capa-a-crise-do-estado
  • 05-2010-capa-globalization-and-competition
  • 10-1999-capa-reforma-del-estado-para-la-ciudadania
  • 16-2015-capa-a-teoria-economica-na-obra-de-bresser-pereira-3
  • 04-2016-capa-macroeconomia-desenvolvimentista
  • 12-1982-capa-a-sociedade-estatal-e-a-tecnoburocracia

A perplexidade da centro-direita

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 20.9.2018

A centro-direita democrática ficou sem candidato.




Depois das últimas pesquisas eleitorais que opõem dois candidatos de centro-esquerda a um candidato fascista, de extrema-direita, a grande imprensa só fala em “polarização” eleitoral, mas o que realmente está acontecendo é uma profunda perplexidade da classe média de centro-direita que, de repente, se viu sem candidato.

Se o Brasil houvesse continuado a contar com um regime político equilibrado, seu candidato seria o do PSDB, que desde o governo Fernando Henrique Cardoso ocupou a posição de principal partido de centro-direita, e seu adversário, um partido de centro-esquerda, o PT. Desde as eleições de 1990, a política brasileira definiu-se por essa oposição clássica, comum entre os países mais desenvolvidos. Não éramos ricos, mas já havíamos realizado nossa Revolução Capitalista, e nosso regime político não era mais um regime venezuelano.

Esta bela alternância democrática durou de 1990 a 2016, quando foi violentamente interrompida por um golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff. A ruptura começou antes, no dia seguinte às eleições de 2014, nas quais, para surpresa geral, o PT voltou a ser vitorioso. Os erros ocorridos no governo Dilma e o violento ataque que esse partido sofreu pela operação Lava-Jato, que, no seu início, concentrou-se no PT (só um pouco mais tarde ficaria claro que PSDB e PMDB haviam-se também deixado levar pela corrupção) levavam a prever a vitória da oposição, mas a presidente logrou se reeleger com uma vantagem de cerca de três milhões de votos.

Diante da derrota inesperada, o PSDB e seu candidato derrotado perderam a cabeça. Ao invés de revelarem equilíbrio e tolerância, que são essenciais para a democracia, agiram como um país pré-capitalista, como uma Venezuela, e pediram a nulidade da eleição e o impeachment. Foi um imenso erro. A centro-direita está sempre afirmando que o país arrisca a se tornar uma Venezuela ao se deixar governar pela centro-esquerda, mas quem agiu como se o Brasil fosse esse pobre e desafortunado país foi o PSDB. Algo que foi praticamente reconhecido recentemente por seu líder mais notável, o senador Tasso Jereissati.

A história mostra que a grande demanda pela democracia é sempre das classes populares, mas quem garante o regime democrático de um país é sua classe média. Ao embarcar na aventura do impeachment, a classe média de centro-direita brasileira revelou ter guinado para a extrema-direita. As prévias eleitorais tristemente comprovaram esse fato ao vermos uma boa parte dessa classe média manifestar intenção de votar em um candidato radicalmente oposto à democracia. E obrigaram a parte da centro-direita que é democrática a eleger um candidato de centro-esquerda como Ciro ou Haddad. Se o fizerem, votarão bem, mas não votarão satisfeitas.