The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Liberalismo intrinsecamente populista na Argentina

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 4.9.2018

O governo liberal de Maurício Macri levou a Argentina a mais uma crise antes de completar três anos no governo. Assumiu o poder em dezembro de 2015 com as palmas e o apoio do neoliberalismo financeiro-rentista do Norte que criticava o governo “populista” de Cristina Kirchner. Este governo mantinha a economia argentina em equilíbrio precário há anos, mas sem crise. Desde 2007 deixara que a taxa de câmbio se apreciasse e as empresas industriais argentinas perdessem competitividade porque usou a taxa de câmbio como âncora para controlar a inflação. Como a inflação não baixou, provocou uma distorção adicional estabelecendo um sistema insustentável de preços básicos controlados. Mas, aos tropeços, seu governo evitava a crise. 

Macri chegou com o programa liberal clássico, que, na América Latina, é intrinsecamente populista porque inclui a “política de crescimento com poupança externa”, ou seja, a política de incorrer em deficits em conta-corrente com o argumento que os dólares adicionais necessários para financiar esse deficit financiarão investimentos adicionais. Autoengano, puro populismo cambial. Macri chegou ao poder e liberou os preços e fez imediatamente um acordo com os “fundos abutres” para recuperar o crédito internacional da Argentina. Em dois anos o deficit em conta-corrente aumentou de 2,7 para 4,8% do PIB. Mas é claro que o deficit maior não serviu para financiar investimentos adicionais, e, sim, para financiar consumo adicional. As entradas adicionais de capitais para financiar o deficit externo aumentaram a oferta de dólares, apreciaram o peso no longo prazo, tornaram as empresas industriais ainda menos competitivas do que estavam no governo anterior, e estas, naturalmente, não investiram.

Na verdade, o país se endividou para financiar mais consumo. E agora o país mergulha mais uma vez em crise de balanço de pagamentos. Que era inevitável? Não. Crises financeiras podem ser evitadas, mas a condição para isto é que o país deixe de se enganar pela tese do Norte de crescimento com poupança externa. Que atende aos interesses do Império, que quer sempre exportar capitais, mas não interessa aos países em desenvolvimento porque financiam o consumo, não o investimento, e porque geralmente acabam em crise financeira e sofrimento.
  


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