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Substituição de poupança interna pela externa: o caso do Brasil

Luiz Carlos Bresser-Pereira
Este trabalho escrito em 2006 serviu de base para o Capítulo 5, "Substituição de poupanças" de Macroeconomia da Estagnação (2007, São Paulo: Editora 34: 149-166).


A economia brasileira foi capaz de acabar com a alta inflação inercial em 1994, mas, apesar do grande fluxo de capital na forma de financiamento e investimento direto, o país permaneceu quase-estagnado. Uma causa fundamental por trás deste fato foi a abertura da conta capital acompanhada pela adoção da estratégia de crescimento com poupança externa. Neste artigo o foco é na taxa de câmbio que tende a se tornar apreciada quando aquela estratégia é adotada. O artigo mostra os efeitos perversos de tal estratégia em três estágios: primeiro, a substituição de poupança interna por externa; segundo, o endividamento e dependência financeira do país; e, finalmente, a crise do balanço de pagamento. Em seguida o artigo concentra-se no primeiro estágio: resume a crítica à estratégia de crescimento com poupança externa em um modelo, define a taxa de substituição de poupança externa por interna aplicável quando os déficits em conta corrente estão aumentando, e seu inverso, quando aqueles déficits voltam a cair. Finalmente, oferece uma medida simples de ambas as taxas para o Brasil, nos anos 1990, quando o país estava recebendo poupança externa, e nos anos 2000, quando o inverso aconteceu.


 

 

 

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