The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Sobre o medo e o ódio

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 23.8.2018.

O dólar continua a subir, hoje bateu R$4,12. Todos estão de acordo, é o dólar da crise política brasileira, da insegurança em relação às eleições presidenciais que estão próximas. Mas para quanto irá o dólar? Qual a profundidade dessa crise? Pode ser comparada com a crise de 2002, quando o medo da eleição de Lula levou o dólar, a preços de hoje, a R$7,00? Há muita gente pensando assim, mas estão enganados. Não há medo de Lula, ou de seu vice, Fernando Haddad. Já está claro que um deles é o mais provável presidente da República. E não há por que temê-los – não há por que pensar que agirão de forma irresponsável tanto no plano fiscal quanto no plano cambial. Já sabem que deficits fiscais são muito perigosos, e que deficits em conta-corrente significam taxa de câmbio apreciada e desindustrialização.
Mas se o mercado financeiro não tem medo de Lula, como explicar a violência do comportamento das elites econômicas e políticas brasileiras em relação a Lula e ao PT? E o comportamento de um setor oportunista do poder judiciário que resolveu transformar Lula em um criminoso e o julgar sem qualquer prova convincente?
A explicação está, a meu ver, não no medo, mas no ódio. O mercado financeiro não tem medo, mas essas elites têm ódio de Lula e do PT. Ódio que apareceu pela primeira vez na história política do Brasil em 2013. Ódio sem base, irracional como todo ódio. Ódio de uma classe média que viu os pobres e os ricos prosperarem, enquanto ela era esquecida, e encontrou “um culpado” para isso.
Se pensarmos bem, verificaremos que o aumento havido nas intenções de voto em Lula em todas as pesquisas não é apenas resultado de os pobres terem sido bem tratados no seu governo. Ou do inegável carisma de Lula. É também uma reação popular contra o ódio e a injustiça.
Precisamos, com urgência, pacificar o Brasil, e levá-lo de novo a construir seu desenvolvimento. Essa será a primeira tarefa do presidente que será eleito em outubro próximo. Lula sempre foi um pacificador. Vamos esperar que ele mais uma vez possa mostrar essa qualidade.
  


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