The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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O que fazer depois do TSE?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 11.6.2017

Depois do TSE, que manteve Temer na presidência da República não obstante seu envolvimento direto e pessoal na corrupção, o que fazer? Os movimentos sociais e o PT insistem no impeachment de Temer e pedem eleições diretas. O que faz sentido,
• porque Temer está desmoralizado, e não tem condições mínimas de presidir o país;
• porque eleições indiretas para substituí-lo agravarão a crise ao invés de solucioná-la, dada a ilegitimidade radical de quem for assim eleito;
• e porque Lula provavelmente se elegerá se houverem eleições diretas antecipadas.
Mas é isto o que a direita liberal financeiro-rentista e o PSDB menos desejam. Por isso, é pouco provável que empichem Temer. Preferirão mantê-lo, apesar da desmoralização que isto significa para eles e para todos nós, brasileiros.
O essencial, então, é que nos preparemos para as eleições de 2018. Para isto, porém, não basta continuar a fazer forte oposição ao governo e à reforma trabalhista. É também necessário que discutamos um projeto de governo que possa unir a nação em torno de Lula.
Lula é o mais extraordinário líder político que o Brasil já teve depois de Getúlio Vargas. E já mostrou que tem todas as condições de governar o país de maneira equilibrada, defendendo os pobres e os trabalhadores, sem, para isto, precisar agredir a alta classe média e os ricos. Lula, porém, não mostrou ser capaz de tirar o Brasil da semiestagnação econômica em que o país está metido desde 1990. Nesse ano começou a implantação de um regime de política econômica liberal que, ao abrir a economia, desmontou o mecanismo que neutralizava a doença holandesa, e implicou uma apreciação cambial de longo prazo, apenas interrompida por crises financeiras. Desde então a indústria brasileira passou a sofrer uma grande desvantagem competitiva, que levou o país à desindustrialização e à semiestagnação.
Lula não soube enfrentar esse problema, porque os economistas que o assessoravam na época também não sabiam defini-lo e encontrar uma solução para ele. Nem eles, nem nenhum outro. Uma tarefa fundamental dos economistas e, mais amplamente, dos intelectuais brasileiros é discutir essa questão, para a qual já existe uma resposta; é definir como o Brasil poderá voltar a crescer e a melhorar o padrão de vida da população. E discutir essa questão com a sociedade brasileira, porque as políticas necessárias envolverão custos no curto prazo.
Em 2018 não bastará ganhar as eleições; é preciso, em seguida, mostrar que sabemos governar o país melhor do que os liberais financeiro-rentistas, e não apenas porque defendemos mais justiça social, mas também porque sabemos administrar melhor a economia brasileira.

  


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