The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Novodesenvolvimentistas, sociodesenvolvimentistas e liberal-ortodoxos

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 6.4.2017

Meu amigo, Marcus Ianoni, leu a coluna de Fernando Dantas no O Estado de S.Paulo, “Fratura heterodoxa” (29.3.17), e ficou preocupado com a frase “os ortodoxos não veem uma necessidade tão drástica de redução do salário real numa etapa inicial preparatória à retomada do crescimento, como fica implícito na receita dos novo-desenvolvimentistas".
O Fernando Dantas é um jornalista liberal-ortodoxo competente que aproveitou o debate existente entre os novodesenvolvimentistas e sociodesenvolvimentistas para defender o populismo liberal-ortodoxo.
O novo desenvolvimentismo não é contra o aumento do salário mínimo. Eu já elogiei muitas vezes o presidente Lula por haver, no seu governo, aumentado o salário mínimo em termos reais em 52%. Naquele momento, havia espaço para isso, e ele o aproveitou muito bem.
A discussão é sobre a taxa de câmbio.
Nesse campo os novodesenvolvimentistas têm uma posição muito clara. A taxa de câmbio, deixada livre, tende a ser sobreapreciada no longo prazo, ciclicamente, e, assim, inviabiliza a industrialização e o desenvolvimento. Logo, conclui, ainda que o objetivo seja aumentar os salários (por que lutar pelo desenvolvimento se não for para aumentar os padrões de vida dos trabalhadores?), é necessária uma desvalorização once and for all acompanhada por uma política cambial permanente. Essa desvalorização causará, no curto prazo, uma redução não apenas dos salários reais dos trabalhadores, mas também dos juros, aluguéis e dividendos reais dos rentistas. Não será uma redução “drástica”, como afirma Dantas, mas será uma redução que tornará as empresas industriais competitivas.
Os sociodesenvolvimentistas e os liberal-ortodoxos discordam, e, assim, irmanam-se no populismo cambial. Eles não querem saber de desvalorização cambial. Não aceitam incorrer em custos para crescer.
Os sociodesenvolvimentistas querem conviver com uma taxa de câmbio que inviabiliza a indústria e o desenvolvimento econômico, porque não querem reduzir salários no curto prazo.
Os ortodoxos liberais estão igualmente satisfeitos com uma taxa de câmbio apreciada no longo prazo, porque
¥ não querem reduzir as rendas reais no curto prazo,
¥ não querem reduzir a riqueza real desses mesmos rentistas,
¥ não aceitam a pequena e temporária inflação que decorrerá da depreciação.
A diferença entre os populistas liberal-ortodoxos e os sociodesenvolvimentistas está no fato de que os primeiros também não estão interessados em industrialização, como bem observa Dantas. Logo, podem alegremente condenar o Brasil a ser um exportador de soja, minério de ferro, celulose, suco de laranja e café jamais contar com indústrias e serviços sofisticados. Não dá certo, como vimos no governo FHC.
Já os sociodesenvolvimentistas, como os novodesenvolvimentistas, entendem que o Brasil precisa se reindustrializar para crescer e distribuir renda, mas querem fazê-lo sem que as empresas industriais sejam competitivas. Em outras palavras, querem um capitalismo sem lucro. Não dá certo, como vimos nos doze anos do governo Lula-Dilma.
  


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