The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Imperialismo não mais do Ocidente, mas dos Estados Unidos

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 21.1.2017

Donald Trump ignora os interesses comuns dos países ricos – mão-de-obra cara, investimentos elevados nos países em desenvolvimento através de empresas multinacionais, liberalismo econômico como ideologia, projeto de impor a todos os países a lógica da democracia liberal independentemente de seu grau de desenvolvimento econômico.

Desde quando a Inglaterra completou sua revolução industrial e, em seguida, derrotou a França em 1815, começou a se formar o imperialismo moderno, o Ocidente, sob a liderança do primeiro país, e sócios menores, a França, a Bélgica, a Holanda, e, já no final do século XIX, os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália. Enquanto o Ocidente reduzia à condição de colônia os povos da Ásia e da África, ajudou os países latino-americanos a se liberarem de Espanha e Portugal para que se tornassem seus tributários a partir de sua hegemonia ideológica. A Segunda Guerra Mundial representou a superação do sistema colonial transformando-se as antigas colônias em estados-nação, a transferência da liderança do Ocidente para os Estados Unidos, e o advento da hegemonia ideológica – o imperialismo via persuasão das elites dos países em desenvolvimento que os interesses do Ocidente coincidem com o dos povos dominados.

Em todo esse processo histórico, o Ocidente se definiu pela associação dos países ricos, fosse ele exercido pela força direta ou pela hegemonia ideológica, e seu objetivo foi sempre o mesmo: ocupar os mercados internos dos demais países sem a devida reciprocidade.

A campanha e agora o discurso de posse do presidente eleitos, Donald Trump, sugerem que esse quadro mudará de forma importante. Os Estados Unidos continuam determinados a dominar o mundo de acordo com seus interesses, mas não está mais disposto a se associar aos demais países ricos nessa tarefa. O presidente americano ignora os interesses comuns que esses países têm – mão-de-obra cara, investimentos elevados nos países em desenvolvimento através de empresas multinacionais, o liberalismo econômico como ideologia, o projeto de impor a todos os países a lógica da democracia liberal independentemente de seu grau de desenvolvimento econômico. E entende que os demais países ricos estão explorando os Estados Unidos ao não arcarem com os custos da defesa do Ocidente. Como também estariam os países em desenvolvimento, a começar pela China, que exportam para os Estados Unidos bens manufaturados, e, assim, roubam os empregos dos trabalhadores americanos.

Não sei o que resultará de tudo isso. O nacionalismo econômico foi sempre uma ideologia adotada pelos países ricos, mas em combinação com o liberalismo econômico. O imperialismo por hegemonia dos Estados Unidos esteve sempre baseado na combinação dessas duas ideologias relativamente contraditórias. Agora parece que ficaremos apenas com o nacionalismo. Um nacionalismo populista e imperialista. E não mais um imperialismo do Ocidente, mas dos Estados Unidos.

Terão os Estados Unidos capacidade para exercer esse papel? Terá Trump poder para realizar esse plano alucinado? Minha resposta é “não” para as duas perguntas. O que significa que teremos tempos turbulentos pela frente.
 


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