The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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A Idade Média de agora

Leyla Perrone-Moisés

Folha de S. Paulo, Mais!, 19.6.2005.


"Um Filme Falado", de Manoel de Oliveira, faz a defesa da civilização ao contrapor sutileza e humildade ao excesso de informações do mundo atual, que por sua opulência de dados nos empobrece de respostas.

 

Falou-se pouco, entre nós, de "Um Filme Falado" (2003), de Manoel de Oliveira. Muito menos do que mereceria. Talvez porque seja uma obra sutil demais para os tempos bárbaros em que estamos vivendo. O que é sutil é visto hoje como ingênuo, antigo ou simplesmente chato. Manoel de Oliveira não tem nada de ingênuo e, na vetustez de seus 96 anos, está atualizadíssimo. A sutileza e a força de seu filme só nos aparecem "a posteriori", quando saímos do cinema, atônitos como a personagem de John Malkovich, na imagem final congelada, e continuamos a pensar no que vimos.


O que Oliveira pretende é fazer-nos voltar a um estado de humildade diante do mundo e da história


A primeira cena do filme mostra as pessoas no cais de Lisboa acenando lenços brancos para os que partem no navio. Em cada um dos portos visitados, repete-se a cena do adeus. É um adeus como qualquer outro, dirigido de pessoas a pessoas, ou um adeus a algo maior? A professora que vai à Índia com a filha refaz, na rota encurtada pelo Canal de Suez, a heróica viagem de Vasco da Gama, o maior feito português e europeu do século 15. Tudo é voluntariamente singelo. A começar dos nomes das personagens: Rosa Maria e Joaninha. As perguntas que vão sendo feitas pela menina, e pacientemente respondidas pela mãe, podem parecer tolas para os que pensam que sabem tudo. Algumas são claramente inverossímeis: qualquer menina de sete anos sabe o que é uma sereia ou um vulcão. O que Oliveira pretende, com essas perguntas elementares e insistentes,


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