The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Corrupção e consumo conspícuo

Rubens Ricupero

Folha de S.Paulo, 29.5.2005

Bem no início da Sudene, ao visitar Salvador para inaugurar a primeira sede estadual da agência, Celso Furtado quis dividir o quarto de hotel com seu representante local por achar absurdo que o governo gastasse duas diárias com viagem curta. Recusou a mordomia e só ficaram sabendo o representante, o hoje professor emérito da USP Francisco de Oliveira e nós, presentes, no dia 23, à abertura no Mackenzie da Cátedra Celso Furtado, a quem ele contou a história. Celso era, de fato, assim: figura exemplar de austero servidor do Estado, encarnação da virtude republicana.

 

O episódio confirma o que escrevi na Folha, na ocasião de sua morte: com ele, desaparecia "o intelectual do outro Brasil". Um país mais modesto e antiquado, não isento de corrupção, mas superior em valores, símbolos e sonhos, que sabia para onde queria ir e encontrava às vezes dirigentes capazes de conduzi-lo.

 

No luto que ora nos entristece pela República, ao ver como a conspurcaram detentores indignos de mandatos populares, faz bem ao nosso coração de brasileiros saber que tivemos homens públicos do calibre de Celso Furtado.

 

Celso foi dos primeiros a perceber que, sob a corrupção dos políticos, escondia-se fenômeno subjacente que constitui colossal obstáculo cultural ao desenvolvimento. Em sociedades subdesenvolvidas como a brasileira, as heterogeneidades, isto é, os contrastes de estrutura entre economias diversas praticadas por diferentes regiões e segmentos sociais, geram efeito perverso. Os mais ricos importam do exterior não apenas bens sofisticados mas padrões de consumo disseminados em economias prósperas, que aqui, porém, criam ilhas de luxo em oceano de privações. Pior, boa parte do excedente, da poupança, acaba esterilizada em gastos suntuários, impedindo a acumulação do capital para os investimentos geradores de produção e emprego.

 

A tendência ao consumo conspícuo não é exclusiva do Brasil e da América Latina, embora tenha sido agravada pelos fatores históricos e culturais que d


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