The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Minha formação (por dez filósofos)

Editoria de Folha de S. Paulo - Mais!

Foha de São Paulo, 8 de junho de 2003.


Três questões sobre filósofo que mais o influenciou, inquietações atuais, e filósofo contemporâneo que lê mais atentamente, respondidas por Richard Rorty, Bento Prado, Paulo Ghiraldeli, Clement Rosset, Ernildo Stein, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Antonio Negri, Jürgen Habermas, Sergio Paulo Rouanet, e Maria Sylvia de Carvalho Franco.
De Platão a Richard Rorty e Jürgen Habermas. São mais de 2.000 anos de um longo e polêmico debate, que, com o passar do tempo, se torna cada vez mais complexo.
Para ajudar o leitor a criar a sua versão pessoal da história da filosofia e a montar uma biblioteca de textos fundamentais, o Mais! expõe nesta edição uma espécie de "minha formação" de alguns dos principais protagonistas da área no Brasil e no exterior.
A cada um dos dez intelectuais entrevistados pelo caderno foram propostas três questões:

1. Qual é o filósofo que mais influenciou a sua formação intelectual?

2. Qual o filósofo que mais responde a suas inquietações atuais?

3. Qual o filósofo contemporâneo que lê com mais atenção?

Nas respostas, publicadas a partir da página ao lado, se destacam alguns nomes -principalmente os de Wittgenstein e Marx, antecedidos com muita freqüência por Nietzsche, Hegel, Kant. Entre os autores mais recentes, são citados -não por acaso- Habermas e Rorty, além de Bergson, Deleuze e Heidegger.

Richard Rorty:
A NARRATIVA DA VIDA
O filósofo mais interessante e original de nossos tempos é Robert Brandom; é com os livros dele que eu passo mais tempo hoje

1. Wittgenstein é a figura que mais impacto exerceu sobre minhas idéias filosóficas. Seu livro "Investigações Filosóficas", uma obra que chamou de "terapia filosófica", dissolveu a maioria dos problemas filosóficos que fui educado a levar a sério. O livro abriu o caminho para que filósofos posteriores, como Wilfrid Sellars (1912-1989) e Robert Brandom, pudessem descartar as noções de "experiência", "consciência" e "mente". Eles o fizeram dando seguimento à observação de Wittgenstein de que não há como se interpor entre a linguagem e seu objeto. Em especial, não existe maneira alguma de decidir se uma palavra é apropriada para se referir a uma experiência. Assim, uma experiência perceptiva não é questão de algo ter sido "dado" à consciência e depois descrito em linguagem, mas de termos sido treinados a utilizar certos objetos de linguagem ("estou sentindo dor", "isso é vermelho", "essa é uma vaca", "isso é bonito") sob condições ambientais e neurológicas determinadas. Não existe nada de "inefável" na experiência, a consciência não tem nada de misterioso e não existe maneira de avaliar a linguagem em termos de "adequação". As descrições linguísticas muitas vezes são suplantadas por outras descrições linguísticas, mas isso acontece porque as últimas são mais úteis, não porque representem melhor os objetos que descrevem. Essa visão da percepção enfraquece a idéia empírica de que os sentidos colocam nossa mente em "contato direto" com a realidade e também a idéia de que algumas descrições do mundo são mais próximas de "como o mundo é vivido diretamente" do que outras. Uma vez que abrimos mão da esperança de encontrar uma descrição mais precisa da experiência, torna-se fácil eliminar de nosso vocabulário filosófico a noção de "experiência" e a de "mente". Os wittgensteinianos enxergam os seres humanos como organismos que, como outros animais, reagem a circunstâncias ambientais com respostas comportamentais. Logo, o que nos distingue dos brutos (e dos computadores) não é o fato de possuirmos um ingrediente extra adicional ao qual se dá o nome de "mente" ou "consciência", mas simplesmente nossa capacidade de apresentarmos comportamentos especificamente linguísticos, trocando marcas e sons uns com os outros de maneiras que respeitam normas sociais. Os seguidores de Wittgenstein descartam a idéia de que a linguagem seja uma tentativa de representar a realidade com precisão e também a idéia de que a verdade consiste na correspondência com a realidade. Essas mudanças lhes permitem deixar de lado perguntas céticas sobre se a mente humana é ou não capaz de apreender a verdadeira natureza das coisas. O progresso científico, numa perspectiva wittgensteiniana, não é questão de chegar mais perto de algo que já existia (a

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